Nota: Escrevi isto ontem e estou há horas a tentar carregar fotos, mas simplesmente não consigo com esta ligação. Optei por actualizar na mesma o blog sem fotos e coloco as fotos assim que conseguir... prometo... (também é frustrante para mim, porque estive horas a organizar isto... toda a experiência na Índia é um teste à paciência...)
Hoje tive uma manhã muito produtiva: acordei cedo, dei uma corrida pela praia, tomei o pequeno almoço, lavei roupa e estou a actualizar o meu blog :-) Quando alguém lava roupa no hotel Ave Maria (na praia de Arambol, no norte de Goa) considera-se que teve um dia verdadeiramente produtivo... lavar roupa à mão dá trabalho e está tanto calor que é quase preciso tomar um duche a seguir. É uma piadinha que circula aqui... Não, não é para fazer inveja, só para vos descrever aquilo que tem sido a minha (dura) vida nos últimos dias desde que cheguei a Goa.
Hoje tive uma manhã muito produtiva: acordei cedo, dei uma corrida pela praia, tomei o pequeno almoço, lavei roupa e estou a actualizar o meu blog :-) Quando alguém lava roupa no hotel Ave Maria (na praia de Arambol, no norte de Goa) considera-se que teve um dia verdadeiramente produtivo... lavar roupa à mão dá trabalho e está tanto calor que é quase preciso tomar um duche a seguir. É uma piadinha que circula aqui... Não, não é para fazer inveja, só para vos descrever aquilo que tem sido a minha (dura) vida nos últimos dias desde que cheguei a Goa.
Arambol foi a minha primeira paragem em Goa. Quando se chega a Arambol parece que saímos geograficamente da Índia e que viajamos até ao passado e regressamos aos festivais dos anos 60/70 (algumas das pessoas são as mesmas que cá estavam nessa altura, aliás... se se lembram da minha descrição de Pushkar há algumas edições atrás, diria que isto é Pushkar old generation em versão praia, mas para além disso cheio de turistas russos porque existem voos directos de Moscovo para Goa). Apesar de tudo, a praia é enorme e fabulosa, a água quentinha, tudo verde e cheio de palmeiras (e de mosquitos) à volta. O clima é descontraído, mas demasiado ocidentalizado para meu gosto, mais uma vez. Não existem restaurantes indianos, apenas internacionais. É estranho, mas tenho de confessar que depois de 2 meses a viajar na Índia, sinto um certo prazer em comer coisas como torradas de pão normal com manteiga ou croissants de chocolate ao pequeno almoço, café de máquina, pizza (ontem jantei pizza, pela primeira vez desde há meses), crumble de maçã com uma bola de gelado. Mas claro que é tudo muito mais caro também e tem tudo um ar pouco genuíno... Ao contrário da maioria dos hóspedes do hotel Ave Maria que ficam cá semanas a fio, alguns meses a fio (muita gente aluga mesmo casas por aqui e fica), para mim é um ambiente onde não consigo ficar mais do que uns dias... Pensei até em ir embora hoje, mas como é domingo há menos autocarros e tinha roupa para lavar... acho que o calor e a preguiça tomaram a decisão por mim.
Pode parecer-vos estranho aquilo que vou dizer a seguir, mas pela primeira vez desde que cheguei à Índia sinto-me um pouquinho de férias (só uma pequena nota: ao contrário daquilo que muitos dos meus leitores possam pensar, a minha volta ao mundo não são férias prolongadas... trata-se de um investimento na minha vida e destina-se a aprofundar os meus conhecimentos sobre a humanidade... como um curso superior, mas uma versão mais prática, no terreno... E aqui não estou a brincar). Tal como alguns de vós sabem, mantenho um trabalho mais ou menos regular de traduções em tempo parcial enquanto viajo. Há 2 dias atrás terminei uma enorme tradução (um livro) que me manteve bastante ocupada durante os 2 últimos meses (para quem se questiona qual a razão porque não escrevo no blog mais assiduamente, esta é a razão). Desde o Uzbequistão que estava a traduzir este livro. Não me posso queixar porque podia estar a fazer o mesmo em Lisboa e seria Inverno e em vez disso estou num paraíso tropical chamado Goa, mas apesar de me considerar uma pessoa com imensa sorte (digamos que só este trabalho agora me rende mais uns mesitos largos de viagem, parece-me mesmo que já não consigo regressar em 2010...) é um alívio ter terminado.
Escrevi-vos o último relato de Udaipur. Adorei a cidade, deixou-me imensas saudades, sobretudo o yoga das manhãs na minha guesthouse, Nukkad, que recomendo vivamente a quem visitar Udaipur (o meu professor, Prakash, já me convidava para ir beber um chá à casa dele no final das aulas... e fez-me prometer, entre abraços emocionados, que iria continuar a praticar yoga todas as manhãs (a verdade é que depois de 1 semana de yoga diário a minha flexibilidade já tinha melhorado espectacularmente... confesso que não tenho praticado literalmente todas as manhãs, mas tenho feito regularmente alguns exercícios desde então).
No último dia em Udaipur, descobri que se podia subir através de um jardim até a um ponto mais alto da cidade que tem uma vista fabulosa sobre o lago e parte da cidade, onde fiquei sentada durante horas em pura contemplação e a ouvir música...
De Udaipur segui para Diu (com uma breve paragem de 1 noite numa cidade horrorosa chamada Ahmedabad, capital da província de Gujarat, onde ficam Diu e Damão, antigamente administrados por Portugal...) Parece-me que o único facto interessante acerca de Ahmedabad é que é o local onde se encontra o ashram onde o Gandhi viveu a partir do momento em que regressou à Índia... Mas é uma cidade enorme (uns meros 5 milhões de habitantes, uma cidadezita de província, portanto), barulhenta, com montes de trânsito, onde quase ninguém fala inglês... Perdi-me como é habitual, porque tenho um péssimo sentido de orientação para além de não ter nenhum mapa (mas mesmo quando tenho mapa, perco-me em todo o lado, é horrível) e ninguém me conseguia perceber no meio da rua, o que é completamente surreal na Índia, onde sempre alguém arranha um pouco de inglês, pelo menos... depois de ter perguntado a umas 20 pessoas sem sucesso tive a brilhante ideia de ir a uma farmácia e, claro que numa farmácia só existem pessoas espectaculares e prestáveis e consegui finalmente regressar ao hotel infecto onde fiquei alojada.
A província do Gujarat tem uma particularidade – não é permitido beber álcool. Mas Diu e Damão, por terem estado sob jurisdição portuguesa gozam de um estatuto especial e somente nesses dois locais existem bebidas alcoólicas à venda. Há imensos bares e é tudo muito barato comparativamente a outros locais na Índia. Talvez por isso também é um local turístico para os indianos mas é relativamente pouco turístico para os turistas ocidentais porque é um bocado longe de tudo, só os turistas a longo prazo é que têm tempo e disposição para lá chegar.
Diu foi colónia portuguesa até 1961 e conserva alguns vestígios desse tempo. Ao contrário daquilo que alguns outros estrangeiros que encontrei me perguntavam (porque tinham lido nalguns guias de viagem), não me senti nada como se estivesse a passear pelas ruas de Lisboa, mas digamos que é assim uma cidadezita pequenina, mimosa e razoavelmente limpa. A cidade fica aliás numa ilha com 30 e poucos km2, ou seja, a ilha é a cidade de Diu propriamente dita, mais meia dúzia de aldeias de pescadores e a praia, separada do continente por uma ponte.
Tem um forte bastante interessante (parece que o de Damão é ainda melhor, segundo me disse o primeiro português que conheci desde que estou na Índia, aqui em Goa...), mas Damão (que também fica na província de Gujarat, mas mais a sul) terá de ficar para a minha próxima visita. Tem também algumas igrejas cristãs, uma das quais convertida em hospital.
De Udaipur segui para Diu (com uma breve paragem de 1 noite numa cidade horrorosa chamada Ahmedabad, capital da província de Gujarat, onde ficam Diu e Damão, antigamente administrados por Portugal...) Parece-me que o único facto interessante acerca de Ahmedabad é que é o local onde se encontra o ashram onde o Gandhi viveu a partir do momento em que regressou à Índia... Mas é uma cidade enorme (uns meros 5 milhões de habitantes, uma cidadezita de província, portanto), barulhenta, com montes de trânsito, onde quase ninguém fala inglês... Perdi-me como é habitual, porque tenho um péssimo sentido de orientação para além de não ter nenhum mapa (mas mesmo quando tenho mapa, perco-me em todo o lado, é horrível) e ninguém me conseguia perceber no meio da rua, o que é completamente surreal na Índia, onde sempre alguém arranha um pouco de inglês, pelo menos... depois de ter perguntado a umas 20 pessoas sem sucesso tive a brilhante ideia de ir a uma farmácia e, claro que numa farmácia só existem pessoas espectaculares e prestáveis e consegui finalmente regressar ao hotel infecto onde fiquei alojada.
A província do Gujarat tem uma particularidade – não é permitido beber álcool. Mas Diu e Damão, por terem estado sob jurisdição portuguesa gozam de um estatuto especial e somente nesses dois locais existem bebidas alcoólicas à venda. Há imensos bares e é tudo muito barato comparativamente a outros locais na Índia. Talvez por isso também é um local turístico para os indianos mas é relativamente pouco turístico para os turistas ocidentais porque é um bocado longe de tudo, só os turistas a longo prazo é que têm tempo e disposição para lá chegar.
Diu foi colónia portuguesa até 1961 e conserva alguns vestígios desse tempo. Ao contrário daquilo que alguns outros estrangeiros que encontrei me perguntavam (porque tinham lido nalguns guias de viagem), não me senti nada como se estivesse a passear pelas ruas de Lisboa, mas digamos que é assim uma cidadezita pequenina, mimosa e razoavelmente limpa. A cidade fica aliás numa ilha com 30 e poucos km2, ou seja, a ilha é a cidade de Diu propriamente dita, mais meia dúzia de aldeias de pescadores e a praia, separada do continente por uma ponte.
Tem um forte bastante interessante (parece que o de Damão é ainda melhor, segundo me disse o primeiro português que conheci desde que estou na Índia, aqui em Goa...), mas Damão (que também fica na província de Gujarat, mas mais a sul) terá de ficar para a minha próxima visita. Tem também algumas igrejas cristãs, uma das quais convertida em hospital.
Fiquei alojada numa guesthouse junto à praia, onde podia adormecer e acordar com o som das ondas. Infelizmente havia um buraco na parede do meu quarto e num dos dias, em vez do som romântico das ondas, acordei ao som de um rato a roer a minha fruta que estava num saco dentro do quarto (no dia anterior já tinha achado que havia algo estranho com o sabonete, mas na altura não percebi porquê). Mas bem, quando pagamos pouco mais de 2 € por um quarto, não nos podemos queixar muito e assim sempre tenho uma história para contar.
Vi alguns edifícios mais antigos com inscrições em português, mas ninguém tentou falar português comigo (tinham-me dito que algumas pessoas ainda falavam alguma coisa de português). O que me pareceu foi que muita gente de Diu emigrou para Portugal (penso que muitas pessoas ainda terão nacionalidade portuguesa) porque quase toda a gente com quem falava e a quem dizia que era portuguesa me respondia que tinha algum familiar a trabalhar em Portugal.
Num dos dias aluguei uma bicicleta e fui até a uma praia mais distante, a uns 8 km da cidade de Diu (a ilha tem cerca de 13 km de comprimento no total). Foi muito agradável tirando que tive um furo e voltei a pé com a bicicleta. Foi a segunda vez que aluguei uma bicicleta na Índia e a segunda vez que tive um pneu furado, mas mais uma vez, se pago uns 30 cêntimos por dia pela bicicleta, acho que não me posso queixar muito...
Tirando essa tarde de ciclismo, os meus dias em Diu começavam em geral cedinho com yoga na praia, seguidos de um pequeno almoço indiano (um lassi de banana e morango e uma outra coisa de que não sei o nome), algumas horas de trabalho e ao final da tarde uma corrida na estrada ao longo da praia (já lá iam meses e voltar a correr assim junto à praia fez-me recordar imenso Timor... que saudades...) O único senão da praia em Diu é que o mar não está muito limpo e há muitos olhares indiscretos (não se vêem indianas de fato de banho e quando tomam banho vão todas vestidas, portanto nunca me senti à vontade para tirar a roupa porque havendo poucas turistas, obviamente chama um bocado a atenção).
A viagem de Diu até Goa foi intercalada por cerca de 10 horas em Bombaim (de Diu até Bombaim, 22 horas de autocarro... e de Bombaim até Goa mais 10 horas num comboio nocturno). Em Bombaim tentaram-me caçar no meio da rua para participar como figurante num filme de Bollywood (mas isso é algo perfeitamente normal, os filmes estão cheios de figurantes estrangeiros). Teria adorado a experiência (que ainda por cima é paga), mas infelizmente foi uma passagem demasiado breve e não tive tempo, talvez numa próxima. Mas tive tempo para ir ao cinema onde tive a oportunidade de ver o mais recente sucesso de bilheteira aqui na Índia, "3 Idiots", em hindi, sem legendas (sei que parece estranho, mas dá para perceber pelo contexto e porque o estilo bollywoodesco é bastante expressivo... é uma experiência engraçada aliás ver um filme numa língua que não percebemos, faz-nos reparar muito mais nos detalhes). Devo dizer que adorei o filme, não faço ideia se chegará a Portugal (talvez nalgum festival intercultural como houve há uns tempos em Lisboa), mas recomendo vivamente...
E com abraços peganhentos deste clima tropical me despeço, boas leituras e até breve!



Oh amiga, tinha saudades, e continuo a viver mais e melhor dos momentos bons que te vejo passar!!!
ResponderEliminarUm abraço friorento das terras Lusas,
ResponderEliminarSR
Faz-se um downloadzito nos torrents e chega aone quiseres, eheheheheh
ResponderEliminarP
Isto é que fui uma ausência.
ResponderEliminarGostei da parte do pessoal simpático da Farmácia...