Esta semana comecei um curso intensivo de tétun. 4 horas seguidas todas as manhãs numa salinha equipada com duas ventoínhas que raramente funcionam porque raramente há electricidade. Vou-me abanicando com as fichas de exercícios e esperando impacientemente pelo intervalo (a casa de banho, apesar de ter uma colmeia lá dentro (!), sempre está um pouco mais fresca - o que só comprova como as abelhas são espertas). Estou sozinha na minha turma, mas os professores vão rodando. Estou empenhadíssima, faço sempre os trabalhos de casa e tenho praticado imenso na rua e sempre que tenho oportunidade, por isso noto uma enorme evolução - nestes últimos 4 dias aprendi mais do que no 1 ano e meio que estive cá antes. Simultaneamente comecei também as minhas visitas aos centros de saúde/farmácias (sim, porque de vez em quando lembro-me que vim para cá trabalhar :) de modo que tenho tido uns dias bastante preenchidos mas muito interessantes também, sobretudo quando me apercebo da realidade das pessoas que trabalham e frequentam os serviços de saúde em Timor.
A farmácia do centro de saúde que visitei hoje, por exemplo, nem sequer tinha uma ventoínha (temperatura acima dos 30 ºC, humidade relativa acima dos 80%) - já não vou falar dos medicamentos que estão na sala, mas só as condições de trabalho do rapaz que lá passa os dias dão que pensar (uma vez mais, não o ouvi queixar-se... no final agradeceu várias vezes eu lá ter ido, como se perder 2 horas a ajudar gratuitamente uma estrangeira transpirada fosse motivo de agradecimento... "eu é que digo obrigada!", dizia eu, mas ele continuava a agradecer...). Tenho sido mesmo muito bem acolhida em todos os sítios onde tenho ido. O curso de farmácia na universidade de Timor-Leste tem a duração de um ano, o que é comum aos cursos de saúde em geral (enfermagem por exemplo também). Ficam perplexos com a duração dos cursos em Portugal (não mais do que eu quando vejo o quanto ainda há a fazer por aqui, no sector da saúde nomeadamente).
Mas voltando à aula de tétun. Contei-vos a minha aventura com aquele vegetal fantástico (baria) no último post (ainda tenho sopa no frigorífico...). A professora de hoje apareceu com uns cartões com fotos de coisas que existem em Timor para ir ensinando os nomes e a primeira (imaginem!): baria! "conhece?" (então não?? contei a história da sopa... em tétun). A professora fartou-se de rir, claro! "baria não é para fazer sopa!!" (olha que novidade!) "baria pode-se fritar - enfim refogar, acho eu - e no fim mistura-se ovo! muito bom!" (só foi pena ninguém me ter explicado essa receita tão boa antes!)
Hoje falavamos de famílias e a professora dizia-me que na família dela eram 10 irmãos, o que já pode ser considerado uma família grande ("lá em casa somos 3 e já é um bocadinho grande", dizia eu... "ah! em Timor 4-5 irmãos é uma família muito pequena" pois...)
Amanhã é a última aula. Ainda não sei se continuo as aulas na próxima semana porque talvez tenha uma boleia e possa começar a viajar até aos distritos (onde vou visitar centros de saúde e farmácias também). Mas acho que por lá posso continuar a praticar (precisava mesmo de um impulso inicial mas nada melhor que começar a falar para desenvolver agora). Não estranhem se houver uns dias de silêncio no blog, portanto...
PS - interrompi os TPC de hoje para escrever no blog (um pouco palermas os TPC, assim para repetir as mesmas frases mas com a mãe, o pai, o irmão, a irmã, o primo e a família toda). O título (inspiradíssimo pelos exercícios!) é o que estou a pensar dizer amanhã à professora...




quando nao temos as coisas e que nos apercebenos do que elas valem...
ResponderEliminarja agora que estas a pensar dizer a professora????
Faço minhas as palavras do "Anónimo disse" (lol)
ResponderEliminarainda fiz um google it mas esta lingua não é para qualquer um e fiquei na mesma!
Conta!
beijinho grande
Nikas
ps-eu se fosse a ti nem no ovo....