17/10/09

Atenas - Parte I

Depois de 2 dias passados em Atenas, escrevo o primeiro relato da minha Volta ao Mundo no comboio rumo a Kalambaka, que fica na zona central da Grécia.

A chegada a Atenas foi tranquila, embora o tempo de transbordo em Londres tenha ficado substancialmente reduzido devido a um atraso no primeiro voo, à partida de Lisboa. Mas finalmente conseguimos apanhar o voo para Atenas, onde chegamos pouco depois das 20h30 locais (GMT + 2, ou seja, 2h mais tarde do que em Portugal continental).

Ficamos num hotel na zona de Plaka, que é um bairro razoavelmente turístico, mas com muita agitação à noite, lojas e restaurantes abertos até tarde, como aliás parece ser típico em Atenas. Acabamos por jantar num restaurante tipicamente grego, ao lado do hotel, e que nos foi recomendado justamente pelo recepcionista do hotel, o Petros, que foi aliás uma das poucas pessoas simpáticas com quem falamos. Os atenienses não parecem muito orientados para o serviço ao cliente e são, em geral, um bocado antipáticos para os turistas (daquele género a despachar e poucos sorrisos). Talvez se prenda um pouco com a barreira da língua, porque nem todos falam inglês, sobretudo nos restaurantes em que há muitos empregados menos jovens a servir às mesas, mas ainda assim...

No dia seguinte de manhã, começamos a nossa visita à cidade, evidentemente pela obrigatória Acrópole (que já tínhamos avistado do nosso bairro, que fica, aliás muito perto também das principais atracções turísticas, outra vantagem). Existe um bilhete combinado que permite visitar 6 atracções e que custa 12€ para os adultos. Nem achei caro, atendendo ao número de coisas que se podem visitar até ter percebido que os estudantes da UE não pagam nada!! Pois... portanto eu paguei e o Pedro que ainda tem cartão de estudante ficou-se a rir. A vida é dura!

Não posso dizer que visitar a Acrópole fosse exactamente o sonho da minha vida (o local de sonho da minha vida existe, mas em princípio só o irei visitar um pouco mais tarde no meu percurso), mas a verdade é não correspondeu muito às minhas expectativas... Fosse pela chuva incessante (que limitou seriamente a minha criatividade fotográfica), fosse pelo facto de estar tudo cheio de gruas, andaimes e afins (nomeadamente o Parthenon, mas também parte dos outros edifícios), fosse pelo avançado estado de degradação das próprias estruturas (que não tinha ideia que assim fosse, muito honestamente), fosse pelo cheiro a lixívia que se fazia sentir (as pedras devem ser lavadas com uma solução qualquer de hipoclorito), o que é certo é que apesar da emoção de me encontrar naquela colina carregada de história, não me senti nada deslumbrada, antes pelo contrário...



Aliás, uma característica que encontrei em grande parte das atracções turísticas em Atenas, e que justifica um pouco a minha desilusão, é que eles não valorizam nada o potencial das magníficas construções que têm. Por exemplo, a foto abaixo foi tirada na Biblioteca de Adriano, que fica fora da Acrópole mas não muito distante.


Logo à entrada temos várias prateleiras metálicas enferrujadas com uma vasta colecção de pedras que se desmoronaram do edifício. Poderíamos pensar que foram colocada em prateleiras por alguma ordem lógica, catalogadas, com explicações... nada disso, as pedras estão em cima das prateleiras completamente abandonadas (as prateleiras estão tão enferrujadas que eu diria que aquilo está assim há anos, em segundo plano na foto, junto do muro). Depois a estrutura está a supostamente a ser restaurada. Está portanto coberta de andaimes igualmente enferrujados (que são os que estão em primeiro plano, mas também com aspecto de ali estarem há anos). Digamos que o restauro de edifícios antigos não é propriamente a minha área de especialidade, mas as partes restauradas destoam totalmente do edifício original (mas quando digo totalmente, é bocados de mármore imaculadamente branco e polido no meio das pedras de mármore antigas, erodidas e amarelecidas pelo tempo... aqui não se vê muito bem, mas fica totalmente a destoar) custa-me a crer que não existam formas de harmonizar um pouco melhor...

Mas bem, no meio de tudo isto, houve algumas coisas que me chamaram a atenção pela positiva. Adorei a zona da antiga Ágora (mercado antigo), com a igreja dos 12 apóstolos (foto em baixo) que é uma igreja bizantina pequenina com uns frescos magníficos espalhados pelo tectos e pelas paredes.


Nessa zona existe também um templo (templo de Hephaestus) bastante melhor conservado que os da Acrópole (li que era o templo Dórico melhor preservado da Grécia; em estilo é semelhante ao Parthenon), onde os meus pulmões devem ter ficado todos branquinhos por dentro, de tanta lixívia que havia pelo ar.



Adorei também a Torre dos Ventos na Ágora Romana. Trata-se de uma torre octogonal em mármore, bastante bem preservada e com baixos relevos de figuras que representam os ventos em cada uma das faces. Foi construída com várias funções, entre as quais cata-vento e relógio de sol e tinha também um relógio hidráulico. Já nada disto funciona, obviamente, mas a estrutura continua a ser muito interessante.


Entretanto a chuva acalmou, de modo que deu para parar na praça de Monastiraki, uma praça central e movimentada, onde compramos fruta e um pão típico de cá, que é uma rosca coberta com sementes de sésamo, meio adocicado, que já voltamos comprar várias vezes desde então. Compramos também umas uvas que se vieram a revelar as uvas perfeitas (ou seja, com todas as características das uvas ideais: doces, rijas e sem grainhas...).

Ao final da tarde quando voltávamos para o hotel, um restaurante por onde passamos prendeu a minha atenção porque tinha à porta um suporte com cartões de visita em, pelo menos, 20 línguas diferentes, incluindo em português. Cada cartão era de uma cor diferente, por isso era muito apelativo, achei uma óptima estratégia de marketing... aliás, acabamos mesmo por ir lá jantar e não fomos só nós a achar piada porque estava completamente cheio. Talvez também porque a comida era óptima. Comemos um género de menu de degustação com 5 diferentes pratos (dois dips, uma salada grega, um folhado de queijo e espinafres e umas lulas) e uma sobremesa (um pudim/bolo húmido de sêmola, amêndoa e canela). Teria sido, sem dúvida, a refeição perfeita se o senhor que nos servia fosse um pouco mais cordial (já nem digo simpático...). Como muitos sabem, uma das coisas que mais valorizo em viagem é a experiência gastronómica...☺










2 comentários:

  1. Estou como sempre a adorar as tuas crónicas. Espero que a experiência se prenda mais com Atenas (devem estar fartos de turistas). Eu estive em Thessaloniki e adorei a experiência, as saladas, os peixes frescos e o atendimento dos empregados. E a história cultural mais bem tratada. Mas quero continuar a conhecer mais daí e estou em pulgas pelos outros sítios!!!

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  2. Engraçado... da minha viagem pela Grécia eu fiquei com a ideia de que eles eram simpáticos.
    Mas isto já foi há 25 anos... Achas que se podem ter deteriorado?

    Tia Zé

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