21/10/09

Stairway to heaven... (Meteora, Grécia)



Quando pensei num título apropriado para descrever a minha visita aos Meteora, ocorreu-me de imediato esta música... quase como banda sonora...
Que local fabuloso!! Tinha lido no Lonely Planet que era um dos locais mais visitados na Grécia, mas curiosamente havia muito poucos turistas por estes dias... é certo que estamos em época baixa, mas também é época baixa em Atenas e ainda assim andavam por lá uns milhares de turistas.

Os Meteora são umas enormes formações rochosas que, por si só, constituem um cenário admirável do ponto de vista geológico, mas que se tornam ainda mais extraordinárias pelo facto de, no topo de algumas destas rochas, se situarem mosteiros de monges (cristãos ortodoxos) eremitas  que datam do séc. XIV ou por volta disso. Estes monges começaram por viver em grutas nestas rochas (os primeiros ocuparam este local por volta do séc. X); mais tarde formaram estas comunidades e construíram os templos, alguns dos quais já nem sequer existem nos dias de hoje. Outros, pelo contrário, ainda se encontram em actividade e são visitáveis. Dos 7 que ao todo se podem visitar actualmente, apenas 6 estão abertos nesta altura do ano... e nós visitamos os 6!! (quando se visita um, há uma força estranha que "obriga" a visitar os outros).



E, para além de os termos visitado todos, subimos a todos a pé! (o que pode não parecer nada de especial a quem não conhece, mas garanto-vos que representa umas horitas de caminhada; a verdade é que essas caminhadas, apesar da chuva que apanhamos na maior parte do tempo, valem muito a pena também).






Em comum, estes mosteiros têm uma capela (no interior da qual é proibido tirar fotos, infelizmente) com pinturas absolutamente fabulosas... não há um centímetrozinho quadrado da capela que não esteja pintado, é impressionante... as pinturas representam cenas e figuras bíblicas que estão sempre pintadas sobre um fundo escuro.

No primeiro mosteiro que visitamos, compramos o bilhete e cruzamo-nos com um grupo de senhoras vestidas a rigor para a visita à capela (existem algumas indicações do vestuário "correcto"... mas como eu ia de calças compridas e camisola com mangas, achei que estava "correcta"). Mas reparei que todas essas senhoras tinham um lenço na cabeça e como vi um monte de paninhos amontoados na entrada, achei que deviam ser para colocar na cabeça e assim seria perfeito. O pano por acaso era um bocado grande, tinha umas fitas e não dava jeito nenhum, mas bem... se tinha de ser... Quando cheguei à porta da capela propriamente dita, a senhora que lá estava olhou para mim e disse que não eram permitidas mulheres de calças e que aquilo que eu tinha na cabeça mais não era do que uma saia, justamente (para colocar por cima das calças e não da cabeça)! Imaginem a minha figurinha miserável!! (pelo ar com que olhou para mim, eu acho que a senhora deve ter um caderninho onde vai anotando os episódios com estrangeiras - louras mesmo e louras disfarçadas de morenas, como eu, só pode... - para se rir mais tarde lá em casa, e de certeza que a minha história foi direitinha para o topo da lista... :-)
A partir daí percebi, isto já foi no último que visitamos, reparem na saia, que estilo...



Neste último mosteiro (Grande Meteoron, ou Mosteiro da Metamorfose - só por isso, o meu preferido, claro...), que é também o maior de todos, existem várias mini-exposições a ocupar várias salas. Uma delas tem umas cruzes esculpidas em madeira, com motivos minúsculos tão bem trabalhados que se pode ver a expressão dos rostos numas figurinhas cuja cabeça não é maior do que a cabeça de um prego pequeno (aqui também não era possível fotografar). Numa destas exposições sobre a história dos mosteiros através dos tempos, inseridos no contexto histórico da própria Grécia, descobri um quadro onde comprovei o sentido de humor dos gregos, de que vos falava da última vez...



Por baixo, talvez não se consiga ler: "A German soldier is taken down in an unsuccessful attempt to raise the swastika flag on the rocky Megali Ayia precipice in Meteora"...

Nesse mosteiro também nos ofereceram um doce típico - um cubo achatado cuja consistência se situava algures entre uma goma e uma gelatina mas que sabia um bocadinho a flores, e envolto em açúcar em pó... uma experiência tão diferente que me esqueci de fotografar... (ver abaixo também a experiência gastronómica em Kalambaka, essa sim, totalmente fotografada).

Em alguns destes mosteiros está também exposto um antigo sistema de transporte que os monges utilizavam para subir para os mosteiros, umas redes penduradas nuns ganchos onde os monges eram içados feitos numa bolinha dentro da rede (penso que já não está em funcionamento, alguns dos mosteiros até estão equipados com uma espécie de elevador suspenso em cabos, mais moderno). Olhando para a rede (na foto abaixo, ao fundo), dá para ter uma ideia... vi umas imagens dos monges lá dentro nuns postais e nuns livros, mas não encontrei nada na internet para vos mostrar melhor.



Para terminar, a experiência gastronómica. Na primeira noite em Kalambaka descobrimos um local (Taverna To Paramithi) onde gostamos tanto de jantar que voltamos na segunda noite para repetir a dose. O empregado era super simpático (coisa rara nestas paragens; logo ali, vários pontos a favor), a decoração muito engraçada e a comida suberba. Os grelhados eram confeccionados na lareira que aquecia a sala (portanto, ecológicos também... que mais poderiamos querer de um restaurante no meio das montanhas? :-)




Começando pela melhor salada grega até à data, pimentos recheados maravilhosos, um bife (grelhado na lareira) que parece que também estava delicioso (não provei) e, no último dia, arriscamos as sobremesas: iogurte grego com doce de marmelo (existem montes de marmelos nesta zona da Grécia, vimos vários doces que os utilizam) e uma coisa chamada "sabmarine" (mesmo assim, com "a") que é, novamente, uma pasta estranha que vem mergulhada num copo de água fria para ficar mais durinha e ser possível trincar... assim que se retira de dentro da água começa a ficar mole e a escorregar da colher (imaginem o queijo derretido da pizza em consistência e aquele creme de açúcar que cobre os bolos de aniversário, mas mais estranho, em sabor). Parece que é feito com baunilha (portanto, uma espécie de pasta de baunilha e açúcar)... novamente, um bocado diferente... Não consigo explicar melhor... deixo-vos as fotos, enquanto procuro inspiração para o próximo relato...


 

Não sei se deu para abrir o apetite...
De qualquer forma, aqui fica o resto das fotos de Kalambaka e Meteora.

A próxima paragem será Thessaloniki (Salonica), no norte da Grécia, de passagem para a Turquia.
Até breve!

5 comentários:

  1. Também vesti uma saia dessas! :-)

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  2. Vestiste bem? :-) (será q só eu faço figuras tristes?)

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  3. Raquel Maltesinho23/10/2009, 13:42:00

    Estou a gostar muito dos teus relatos, parece que estamos a viajar também! Jocas e continuação de boa viagem

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  4. O teu relato dos Meteora fez-me lembrar a minha caminhada a subir para um dos mosteiros. Das poucas viagens que fiz (por comparação contigo) foi dos locais que mais me marcou e onde seguramente gostaria de voltar.
    Simplesmente fabuloso!

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  5. Claudia Massano15/11/2009, 22:18:00

    Abriste o apetite pois...e estou-me a deliciar com os teus relatos...isso sim é uma verdadeira maravilha

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