31/10/09

Pela costa do mar Egeu...

A ideia de vir à Turquia surgiu porque era uma porta de entrada terrestre para o Irão (o meu primeiro grande destino nesta volta ao mundo) e porque pensavamos que seria possível tratar dos vistos em Istanbul ou em Ankara (nomeadamente o visto para o Irão, mas também para alguns outros países da Ásia Central que pretendemos visitar em seguida). O plano saiu completamente ao contrário porque na embaixada do Irão em Istanbul não nos podiam fazer o visto (vou poupar-vos aos pormenores), o que significa basicamente que a única forma de conseguir ir ao Irão seria entrar pelo aeroporto de Teerão, onde nos podem conceder o visto à chegada. Ainda assim não é 100% certo... decidimos arriscar e vamos voar de Istanbul para Teerão no dia 1 de Novembro.
“A journey is like marriage. The certain way to be wrong is to think you control it.” John Steinbeck
Mas como um contratempo pode sempre ser visto como uma nova oportunidade, o facto de não termos de percorrer a Turquia rumo a este por terra (para chegar à fronteira terrestre com o Irão) permitiu que tivessemos mais tempo livre para explorar o oeste, como não estava planeado.

E nestas 2 semanas descobri que a Turquia era um país muito, muito diferente daquilo que eu imaginava... Para além de Istanbul e dos seus maravilhosos monumentos de que já tinha visto imagens, tinha ideia que a Turquia tinha interesse sobretudo pelas paisagens naturais e pelos traços de influência islâmica e oriental (nunca tinha passado mais do que 2 ou 3 dias num país maioritariamente islâmico, por exemplo, tinha alguma curiosidade). Aquilo que encontrei, para além da hospitalidade e da comida maravilhosa, foi também uma enorme riqueza histórica... parece que cada pedra em que tropeçamos faz parte de umas ruínas fabulosas de uma das muitas civilizações que ocuparam este território, incessantemente disputado na antiguidade (ou de uma mistura de várias influências). Tudo isto num estado de conservação óptimo (tendo em conta que muitas destas ruínas têm cerca de 2000 anos ou mais...). Estou completamente fascinada com este país! :-) E percorri apenas uma pequeníssima parte.

Em Selçuk, para além da visita a Efeso que descrevi da última vez, fizemos uma excursão a outras 3 cidades vizinhas: Priene, Mileto e Didima (confesso que tenho alguma dificuldade com estes nomes em português, os guias e panflentos estão todos noutras línguas, se me enganar, já sabem...).

Priene destaca-se pelo seu anfi-teatro muito bem conservado e em forma de ferradura, o que indica que foi construído pelos gregos, embora mais tarde tenha sido ampliado durante o período do Império Romano. Aprendemos que a diferença entre os teatros gregos e romanos era a forma (em ferradura, no caso dos gregos e em semi-círculo, os romanos), para além disso, os romanos preocupavam-se mais com a acústica do edifício (daí o nome de auditorium para os seus anfi-teatros, o que destaca a importância da audição), portanto a zona dos espectadores era muito mais a pique e muitas vezes eram cobertos com tectos de madeira. Portanto, mesmo quando os romanos aproveitavam um teatro de construção grega, como nestes casos, introduziam umas pequenas alterações estruturais.


Para além disso, Priene tem também um templo dedicado a Atena que teria uma dimensão considerável, mas do qual neste momento apenas se conseguiram reerguer 5 colunas.


Durante o Verão, imensos estudantes de arqueologia e afins vêm para estes locais para voluntariamente ajudar a desenterrar estes vestígios, mas nesta altura do ano esse trabalho está parado. Ao que parece, apenas 10% de Priene está descoberto (e posso dizer-vos que só esses 10% é imenso, demoramos umas 2 horas a visitar).

Mileto também tem um teatro, mas muito maior, tinha capacidade para acolher 20 mil pessoas e está muito bem conservado, a maioria dos assentos ainda são os originais. Tem também umas termas romanas com todas as suas salinhas separadas. A água quente e o ar quente (sim, eles tinham um sistema de sauna altamente sofisticado) eram transportados através de tubagens de barro que ainda são visíveis em alguns locais.



Ao final do dia, Didima. Ao contrário de Priene e de Mileto, Didima era um santuário onde as pessoas vinham consultar o oráculo que era o mais importante desta região. O edifício principal é o templo de Apolo, com colunas imponentes e uns frisos espectaculares.



Em Didima estavam a fazer uma reportagem para a televisão e entrevistaram a nossa guia, mas acho que nós não aparecemos, que pena...


Em todos estes locais, além das ruínas, tivemos também a oportunidade de apreciar a fauna local, sobretudo répteis, mas em Priene vimos esquilos.






O ponto alto no entanto foi no templo de Apolo (última foto, não resisti a este momento de ternura :-) O Pedro fez um video, mas não quero conteúdos menos apropriados no meu blog, por isso fica apenas uma foto...




Deixo-vos aqui o resto das fotos, que podem ver passivamente no slideshow (para os preguiçosos que não querem ter trabalho a carregar no botão :-) ou activamente no álbum (onde têm a recompensa de ver em grande plano)... o meu blog é para todos os gostos...

1 comentário:

  1. Minha Querida!
    É um prazer ler as tuas descrições. Estás numa zona muito filosófica - Mileto - que eu também hei-de visitar algum dia.

    Mandei-te um e-mail sobre os avós.

    Bjs para ti e para o Pedro
    Boa continuação de viagem e oxalá consigam o visto que querem.
    Se não conseguirem, será uma oportunidade para outras coisas, como tu disseste e muito bem.

    Bjs

    Tia Zé

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