13/11/09

A jóia mais que perfeita... Esfahan

Apesar de tudo aquilo que tinha lido sobre o Irão, não estava totalmente preparada para a beleza e elegância arquitectónica com que me deparei em Esfahan...



Entrar na praça Iman, a praça central e mais importante de Esfahan, é como entrar num conto de fadas hipnotizante. Principalmente se coincidir com a hora do chamamento para a oração do meio dia, com o eco dos cânticos de louvor a Alá que se propagam do alto dos minaretes e realçam o impacto da luz do sol que faz brilhar os azulejos das cúpulas das mesquitas... A primeira vez que me tinha sentido assim quase hipnotizada por este som, tinha sido há umas semanas atrás em Istanbul, perto da mesquita azul... ao contrário daquilo que acontecia na Turquia em que ouvíamos o chamamento para a oração 5 vezes por dia, no Irão isto acontece apenas 3 vezes por dia, porque aqui concentram-se a maioria dos muçulmanos shiitas, em todos os outros países islâmicos a maioria é sunita. Os shiitas rezam apenas 3 vezes por dia.

À falta de palavras para descrever a graciosidade das formas e das cores, as imagens talvez vos ajudem a compreender melhor o meu deslumbramento...



Se o exterior destas mesquitas e palácios é simplesmente deslumbrante, o seu interior certamente não fica atrás, muito embora os arquitectos tenham, muitas vezes, projectado assimetrias propositadas, para demonstrar a humildade e imperfeição do homem face a Alá.
(diria antes que se o homem é imperfeito, Esfahan não será porventura o melhor local no mundo para o comprovar...)

Este é o interior da mesquita Sheikh Loftollah, vista de fora na primeira foto acima. É uma mesquita um pouco invulgar porque não tem minaretes, nem pátio como as outras (não está em actividade), subindo-se directamente das escadas para a entrada principal, de onde se acede ao interior da cúpula. Adorei esta mesquita, mas num país como o Irão, repleto de mesquitas fabulosas é difícil classificá-las por ordem de beleza... posso apenas dizer, sem hesitações, que vi em Esfahan alguns dos edifícios mais bonitos e elegantes que tenho visto pelo mundo (não que me considere uma autoridade na matéria, mas ainda assim do pouco que conheço, já tem algum significado...)




A mesquita Iman, pelo contrário, é utilizada diariamente como local de culto (está encerrada ao público às horas das orações, altura em que não é permitida a entrada a não muçulmanos).  



Para além das mesquitas e dos palácios com frescos e tectos fabulosos, Esfahan tem também um rio, cujas margens são ligadas por várias pontes elegantes e por onde se estendem, de ambos os lados, jardins relvados bem arranjados, proporcionando um passeio muito agradável, principalmente ao final da tarde.



Aliás, este parece ser também um local bastante apreciado pelos próprios iranianos, que enchem os parques e as esplanadas junto às pontes e toda a zona fica bastante iluminada e animada a essa hora.



Como não sou apreciadora de carne, à excepção de aves, não tenho tido muita sorte com os pratos típicos locais desde que cheguei ao Irão. Muitas das especialidades são justamente à base de carne de vaca ou (muito pior) de borrego. Em Esfahan "provamos" alguns pratos típicos (provou o Pedro, quando chegaram à mesa, o cheiro dissuadiu-me de imediato e o meu almoço foi pão e água...). O beryany é uma espécie de hambúrguer de borrego, servido dentro de um envelope de pão (na primeira foto) e o outro molho que parece apetitoso (shemshad) é na verdade uma mistura peganhenta à base de borrego (daquelas que fica colada ao tecto se for atirada; nada que não me passasse pela cabeça quando tentei provar, aliás) e com alguns outros ingredientes cujo o sabor fica obviamente e totalmente mascarado pelo do borrego (nem percebemos bem o que poderia conter mais).




A minha sorte é de facto o pão excelente, de que existem vários tipos, mais fino e crocante (lâvash) ou mais grosso e mole (shangak), com sementes de sésamo por cima ou não (mas sempre de tipo nan, espalmado e sem fermento). Um dos nossos rituais preferidos é ir comprar o pão quentinho saído do forno às padarias locais. Ao final da tarde as pessoas aglomeram-se à porta das padarias e o pão é feito e colocado no forno à nossa frente. Quando fica pronto, os padeiros entregam em mão às pessoas que os colocam num tabuleiro de rede metálica para arrefecer um pouco antes de os dobrar (como é fininho e espalmado, dobra-se como um jornal) e colocar dentro do saco.




Em Esfahan tivemos até uma cena digna de um filme cómico porque pegamos no pão de um senhor que estava há imenso tempo à espera que arrefecesse (tanto tempo que nós pensamos que aquele pão estava abandonado, mesmo à nossa espera; foi aí que percebemos a história de arrefecer o pão antes de meter no saco). O senhor até era bastante simpático e (surpresa) falava bem inglês, por isso achou piada e não se importou ("desculpem, vocês não são de cá, pois não? É que esse por acaso é o meu pão..." que vergonha...) Mas agora já dominamos o assunto e quase nos confundimo com os locais ;-) Para além destas padarias que só vendem pão feito na hora, há umas outras que também vendem uns bolos e uma espécie de biscoitos em forma de pão (ou seja, um pão rectangular, não muito doce e mais durinho, muito bom também).
Outra especialidade que descobrimos em Esfahan foi uma espécie de sopa (vegetariana) feita de couve, massa e feijão (ash-e reshte)... que fumega em grandes panelas nos quiosques de comida na rua. É um bocado consistente, meia picante e muito saborosa (na foto, os fios pretos por cima são cebola meia caramelizada... fica uma delícia!)



Quanto a bebidas, embora se encontre coca-cola e afins, a marca campeã das soft drinks no Irão chama-se zam-zam. Mas a bebida mais típica com que os iranianos se deliciam a todas as refeições (preparem-se) é uma mistura de iogurte natural e água com gás (dugh), assim mesmo... sem mais comentários... (parece-me que o próprio nome diz tudo :-)



O doce mais típico de Esfahan é o nougat que lembra um pouco o torrão de Alicante. Incrivelmente não cheguei a provar mas numa das montras das muitas confeitarias encontrei uma coisa que me despertou uma certa nostalgia das minhas origens algarvias...



Fica aqui a vossa sobremesa, voltamo-nos a encontrar mais a sul em Shiraz... :-)



4 comentários:

  1. Olá Mariana,

    este post está um espetáculo. E a última foto digna de premiacao.

    Bjinhos
    Jerusa e Marco

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  2. Marianinha Querida,

    iogurte com gasosa...deve ser mesmo muito bom :-/
    yhlarrrkkk! e quanto a borrego...se aí estivesse tb comia apenas..pão porque DETESTO Borrego e o cheiro..:-(!!!!
    Parece MESMO que estás nas historias do Aladino ou Ali Bábá....!!!... isso de andar mexer no pão dos outros, não se faz meninos!!!!!!LOL
    A comida local deve ser mesmo muito boa,..vá agradece ao teu maninho querido por ir experimentando e tu comentando aquilo que só ele é capaz de comer..hehehe!
    Beijinhos, continuaçao de uma BOA VIAGEM e cuidem de vós!

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  3. Mais um excelente relato!

    As imagens tb estão catitas e vejo que o teu irmão está a tentar adequar-se à terra (a barba crescida) e tu estás uma muçulmana a sério, mais coisa menos coisa...

    Boas deambulações!

    Sérgio Rodrigues

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