Este é um dos residentes do melhor hotel onde ficamos durante a nossa estadia no Irão – o Silk Road Hotel em Yazd. Fez-nos companhia durante o primeiro jantar e só nesse momento me ocorreu que aqui todos os gatos são persas! Incrivelmente nunca tinha pensado nisso...
Foi quase por acaso que fomos parar a este local... no último dia em Teerão, quando íamos apanhar o autocarro para Qazvin, dividimos o taxi com um holandês que estava no nosso hotel. Durante a curtíssima viagem, ele explicou-nos que se tinha apaixonado pelo Irão há cerca de dois anos atrás e que era agora um dos donos de um hotel em Yazd e de uma agência de viagens com sede na Holanda que promove justamente o turismo no Irão. Portanto divide o seu tempo entre Yazd e outros locais onde promove a agência e o hotel. Foi super simpático e assim que nos deu o folheto do hotel, decidimos imediatamente que seria o local onde iríamos ficar em Yazd... (e onde mais tarde o voltaríamos a encontrar). Na altura, questionamo-nos o que levaria um holandês a apaixonar-se assim por uma cidade no meio do deserto no meio do Irão (confesso que imaginei mais um romance com uma nómada do deserto...), mas quando chegamos a Yazd percebemos... é uma cidade com imenso charme, diferente de todas as outras que visitamos no Irão e um destino perfeito para terminar em beleza a nossa estadia!
O hotel foi construído a partir de uma casa tradicional da região (existem vários hotéis em Yazd que aproveitaram casas tradicionais da mesma forma): um pátio central com quartos em volta e um terraço no telhado com vista sobre toda a cidade. Como estamos numa zona de deserto e as temperaturas são extremas, o pátio central do nosso hotel foi coberto e foram colocados mesas e bancos tradicionais, tornando-o num local super acolhedor e onde os viajantes se reúnem ao final do dia (para jantar ou para uma bebida quente... ou fria, a minha preferida foi sem dúvida o milkshake de tâmara).
Conhecemos imensa gente interessante aqui, inclusivamente algumas pessoas que também estão a dar a volta ao mundo como eu. Ninguém estava a seguir exactamente o nosso percurso (do Irão para o Turquemenistão, Uzbequistão e depois Índia), mas 2 dessas pessoas talvez voltemos a encontrar novamente no norte da Índia daqui a algumas semanas (um checo e um espanhol, muito fixes mas mais radicais e cujo plano é atravessar por terra o Paquistão até à Índia...).
A partir de Yazd fizemos uma excursão a algumas pequenas aldeias e caravanserais no deserto. Valeu sobretudo pelo interesse histórico e pelas paisagens de edifícios baixos feitos de adobe, bastante diferentes daquilo que existe nas outras cidades que vsitamos. Vimos também algumas das construções que permitiram que os povos que aqui habitavam ou os comerciantes que utilizavam a rota da seda sobrevivessem e tirassem o melhor partido do clima árido do deserto (sistemas de captação e transporte de água e reservatórios gigantescos para conservar gelo).
Característicos desta região são também uma espécie de chaminés nos telhados das casas, viradas na direcção dos ventos predominantes e cuja função era criar um sistema de corrente de ar descendente que funcionava como um verdadeiro ar condicionado antes de haver electricidade (os "colectores de vento").
Um dos locais que visitamos igualmente nessa excursão foi Chak-Chak, o estranho templo zoroastriano, no fundo uma gruta onde pinga água eternamente (faz parte de uma lenda de uma menina que chora por ter sido salva dos trogloditas mongóis naquelas cavernas) ao lado de 3 chamas que ardem eternamente... É um local de peregrinação e com imenso significado para os seguidores dessa religião.
A guia que nos acompanhou na excursão às aldeias do deserto era uma rapariga nova que tirou o curso de técnica de laboratório e passado algum tempo a exercer a profissão chegou à conclusão que não gostava de estar fechada o dia inteiro num laboratório sem falar com ninguém e decidiu mudar de vida e tentar a sua sorte como guia para ter mais contacto humano (e contactar com pessoas diferentes), portanto começou este trabalho apenas há uns meses atrás (fomos os seus primeiros turistas portugueses). Não deixo de admirar as pessoas que têm coragem para mudar de vida ou para escolher um caminho diferente (e diferente daquilo que os outros esperam delas) e tenho tido a sorte de encontrar várias pessoas durante as minhas viagens que justamente fizeram isso em busca de uma vida mais compensadora. Achei sobretudo piada à parte do laboratório porque foi precisamente esse também o início do meu percurso e, ao final de 2 anos, quando decidi mudar
foi exactamente porque percebi que na vida é tudo uma questão de escolhas (e que muitas vezes só abrindo mão da segurança de uma vida convencional podemos ter algumas outras compensações).
Mas, já agora, também admiro as pessoas que, tendo noção que preferem escolher uma via que lhes oferece mais segurança (económica, familiar, seja o que for), vivem pacificamente com essa escolha... O importante é percebermos que temos a opção de escolher o caminho que queremos (e que inclui escolher umas coisas em detrimento de outras) e aceitarmos as escolhas que fazemos com serenidade... Digamos que o deserto estimula a minha veia filosófica :-)
Despedimo-nos de Yazd no dia 13 de Novembro, depois de um último dia a deambular pelas ruas da cidade e a escrever postais (se os correios iranianos funcionarem bem, alguns de vós serão os felizes contemplados dentro em breve :-) Este foi o por do sol de despedida, do terraço do hotel...
Apanhamos um autocarro nocturno de 16 horas para Mashad, onde no dia seguinte apenas tivemos tempo de visitar um dos locais mais sagrados do Irão – o túmulo do Iman Reza. Está tudo tão bem organizado que até têm um centro de apoio ao turista por isso fizemos a visita com uma guia personalizada que de 5 em 5 minutos me compunha o chador (quando começavam a aparecer uns cabelitos de fora) e no final ainda nos ofereceram um CD e pacotinho com doces. O Iman Reza pediu expressamente para ter um túmulo modesto, mas como os crentes faziam questão em ir a Mashad prestar-lhe homenagem, neste momento tem uma estrutura gigantesca com 7 pátios e várias cúpulas (e vão sendo construídos cada vez mais pátios para possibilitar a visita a todos os peregrinos que nas celebrações do ano novo se reúnem na cidade... trata-se do principal sítio de peregrinação no Irão). É um conjunto bastante impressionante (e a meu ver, em nada de acordo com as
últimas vontades do senhor, se bem que eles continuam a dizer que é modesto porque é apenas completamente revestido de azulejos espectaculares e tem apenas 2 modestíssimas cúpulas de ouro); infelizmente as máquinas fotográficas têm de ficar à entrada...
De Mashad seguimos para Quchan, onde pernoitamos num "buraco" que se fazia passar por hotel (mas onde incrivelmente o quarto tinha o melhor e mais eficiente aquecedor que encontrei nos últimos tempos... quase compensava a inexistência de duche e de água quente... aqui está, a escolha da aventura em detrimento do conforto). Quchan fica a 1 hora de estrada de Bajgiran, posto de fronteira com o Turquemenistão, que atravessamos oficialmente a 15 de Novembro.
(do lado iraniano ainda fotografei este cartaz, só porque achei piada... lembra-vos alguma coisa?)
Próximo relato – 4 dias no Turquemenistão... país um pouco peculiar...











Por acaso não encontraste no Irão a minha cantiga de prevenção da gripe A? :-)Ah! ah! ah!
ResponderEliminarNão percebi: afinal vocês estão no Turquemistão desde o dia 15 ou estão no Irão e vão agora para o Turquemnistão?
Esclarece-me por favor.
Boa viagem
Bjs
Tia Zé
Gosto imenso dessa foto com esse rapaz interessante de aspecto árabe que está semi-deitado num canapé.:-)
ResponderEliminarQue sorte que tens com a companhia.:-)ah!ah!ah!
E a rapariga também de aspecto árabe com o lenço na cabeça também é muito interessante. :-)
Bjs
Tia Zé
Saudações menina!!
ResponderEliminarO blog continua magnífico. Uso-o muitas vezes só para colocar música ambiente aqui em casa...é fixe!
Bjs e continuação de boa viagem!
Eu queria um gatinho assim!!!!!tão FOFO!!!!!
ResponderEliminarUma veia filosófica numa altura de reflexão..cruzares-te com várias pessoas com que te identificas de alguma forma são apenas "sinais" de que estás no caminho certo;-)
Beijinhos e Continuaçao de uma Boa Viagem!Paz e Saúde e Boa Sorte!