Prossigo com o relato da minha ascenção ao ABC (apesar do atraso, a odisseia continua bem fresca na minha memória), a partir de Tansen, uma pequena cidade no oeste do Nepal, que se tornou em poucas horas na minha preferida de todas as que visitei por aqui... as pessoas são as mais simpáticas e acolhedoras que conheci em todo o Nepal (talvez porque fica longe dos circuitos turísticos habituais, é tudo muito mais autêntico, sem artefactos "para turista ver"). Fiz 3 mini-trekkings nos últimos 3 dias (enfim, o de ontem não foi bem mini, caminhei durante cerca de 7 horas, algumas das quais debaixo de chuva intensa...) e hoje decidi ficar apenas por aqui a descansar, a ler, a actualizar o blog e a por a correspondência em dia... Gosto disto...
Dia 5 (16/04/2010)
ABC (4130 m) - Sinuwa (2360 m)
Não há palavras para descrever o nascer do sol no ABC... uau... mesmo que tivesse palavras, não as teria conseguido pronunciar naquele momento, tinha os lábios congelados depois de ter tentado lavar os dentes ao acordar (ideia totalmente parva que só serviu para me despertar completamente, mas que quase me custou os próprios dentes...).
Os primeiros reflexos do dia surgem nas montanhas por volta das 5h...
(este é o pico do Annapurna sul)
O frio, o branco da neve, a imensidão e o silêncio das montanhas... fabuloso! "uau" é mesmo a única exclamação que me ocorre ao recordar... tirei milhares de fotos, apesar de ter as pontas dos dedos congeladas mesmo dentro das luvas.
Os meus companheiros nesta aventura (a Angela, o Bruno, eu e o Vincent)...
Mesmo depois do nascer do sol propriamente dito (e depois de um chá quentinho para descongelar), não conseguíamos parar de disparar e começaram a surgir as provas visíveis da escassez de oxigénio cerebral que ocorre acima dos 4000 m de altitude... :-) (meia hora a tirar fotos uns aos outros aos saltos... para mim foi a primeira vez mas conhecemos um casal de holandeses especialistas na matéria, entusiasmadíssmos e a ensinar as melhores técnicas de salto a toda a gente em volta. Ficámos a saber que têm uma colecção de jumping photos por todo o mundo... Os saltos deles, imortalizados em fotos, ficaram perfeitos... quanto a mim, segue-se o melhor que consegui, nem imaginam o que custa estar aos pulos a 4000 m de altitude!...)
Pouco antes das 9h iniciavamos a descida. Assim que o sol nasce, o sol reflecte-se nas encostas nevadas das montanhas e começa a aquecer bastante. A primeira parte da descida é muito fácil, uma suave descida que percorremos em poucas horas até Dovan.
Apesar de o percurso ser repetido e de não ter grandes novidades, achei que tinha sido um dia espectacular por dois motivos... Primeiro porque foi um dia em que sentimos as 4 estações: frio gélido invernal pela manhã, encostas primaveris de gelo a derreter, calor estival e chuva húmida de Outono a partir da tarde. Em segundo lugar porque foi um dia "2 em 1"; ou seja, desci em 1 dia exactamente aquilo que tinha subido nos dois dias anteriores e voltei a pernoitar em Sinuwa de cima.
A ideia inicial era ir até Sinuwa "de baixo" mas se as primeiras horas do percurso foram muito fáceis, durante a tarde grande parte do percurso é composto por escadas e ao fim de algumas horas de caminhada (e sobretudo porque se tratava do 5º dia seguido sem descanso) a componente física começa a não conseguir responder aos desejos da mente... Apesar de tudo, sem dúvida que a boa companhia nos transmite alguma força e energia extra. Seria o último dia de caminhada com os meus amigos, uma vez que decidi nesse dia que iria descer passando por Ghorepani, uma voltinha extra no percurso para ver mais um nascer do sol nas montanhas a partir de um ângulo diferente...
Dia 6 (17/04/2010)
Sinuwa (2360 m) - Komrong (2250 m)
No caminho de regresso do ABC, a etapa que se segue a Sinuwa é Chomrong... um verdadeiro pesadelo logo pela manhã, porque a partir de Sinuwa há uma descida de mais de 500 m onde se atravessa um rio, ao que se segue uma subida do outro lado da encosta (parece que chegamos mas a aldeia ocupa toda a encosta e a subida é interminável, mais de 1 hora e nunca mais se vê o fim).
Em Chomrong, separei-me dos meus amigos (que desceram para regressar a Pokhara) e continuei para oeste, preparada para mais 2 ou 3 dias de caminhada. A ideia era descer um até a uma outra aldeia, atravessar o rio num outro vale e voltar a subir para Tadapani (2630 m), o que supostamente me levaria umas 5 horas de caminhada. Acontece que me enganei e apanhei um trilho a descer mas no local errado (na prática desci antes daquilo que seria suposto) e portanto acabei por fazer o mesmo percurso que tinha feito à ida, mas no sentido contrário (mas só me apercebi mais tarde).
Quando detectei o erro, estava a atravessar o rio no sítio errado e não tive outra hipótese senão subir novamente até Komrong (2250 m), por onde também já tinha passado uns dias antes. Como cheguei bastante cedo (por volta das 15h), pensei que mesmo assim ainda teria tempo para avançar até Tadapani (na minha ideia representaria mais umas 3 horas de caminhada, nada de impossível), mas o céu estava coberto por uma espessa camada de nuvens negras que me fez parar e hesitar... Enquanto estava parada, a tentar perceber através das pessoas que ali estavam se conseguiria chegar a Tadapani antes do cair da noite, surgiu do nada um miúdo (uns 10 anos talvez) e que, ao contrário de todas as outras pessoas ali em volta com quem não estava a conseguir comunicar, falava um inglês próximo da perfeição e com imenso bom senso me desencorajou fortemente de continuar porque o caminho não era fácil, segundo ele (e da mesma forma me encorajou fortemente a parar e a passar ali a noite). Devo confessar que acabei por seguir o conselho um pouco contrariada (mas ele parecia tão seguro de si que me convenceu...).
(Na verdade tive imensa sorte por me ter cruzado com aquele rapazito, ainda por cima porque parece que ele nem morava ali, estava a caminho de uma outra aldeia vizinha... No dia seguinte, apanhei o tal caminho secundário pelo meio da floresta e às tantas perdi o trilho e demorei mais 2 horas do que o previsto. Não foi muito agradável estar meia perdida mas não teve problema porque foi durante o dia e acabei por encontrar o caminho certo, apenas perdi algum tempo e gastei alguma energia extra... Mas talvez tivesse tido menos piada se o mesmo se tivesse passado na véspera ao cair da noite, debaixo de chuva intensa... Mais uma vez se confirma que tenho uma sorte fora de série...)
Dia 7 (17/04/2010)
Komrong (2250 m) - Tadapani (2630 m) - Ghorepani (2874 m)
Comecei o dia muito cedo, muito contente e cheia de energia para mais uma etapa, depois da mini-frustração da véspera (apesar de o quarto ser um bocado desconfortável e húmido e de ter dormido um bocado mal... talvez estivesse animada pela perspectiva de abandonar aquele local rapidamente). Ao contrário daquilo que se possa pensar, atendendo ao facto de que um quarto custa cerca de 1 € por noite, a maioria destas guesthouses no meio da montanha são bastante limpas e até algo acolhedoras, embora os quartos sejam muito, muito básicos (uma cama com um colchão e uma almofada e uma lâmpada... é possível ter um cobertor também se pedirmos...). Este deve ter mesmo sido o pior local onde pernoitei durante todos estes dias (o quarto tinha um tecto falso que devia estar cheio de ratos por cima, porque para além da humidade e do desconforto, ouvi barulhos durante a noite inteira).
Sinuwa (2360 m) - Komrong (2250 m)
No caminho de regresso do ABC, a etapa que se segue a Sinuwa é Chomrong... um verdadeiro pesadelo logo pela manhã, porque a partir de Sinuwa há uma descida de mais de 500 m onde se atravessa um rio, ao que se segue uma subida do outro lado da encosta (parece que chegamos mas a aldeia ocupa toda a encosta e a subida é interminável, mais de 1 hora e nunca mais se vê o fim).
Em Chomrong, separei-me dos meus amigos (que desceram para regressar a Pokhara) e continuei para oeste, preparada para mais 2 ou 3 dias de caminhada. A ideia era descer um até a uma outra aldeia, atravessar o rio num outro vale e voltar a subir para Tadapani (2630 m), o que supostamente me levaria umas 5 horas de caminhada. Acontece que me enganei e apanhei um trilho a descer mas no local errado (na prática desci antes daquilo que seria suposto) e portanto acabei por fazer o mesmo percurso que tinha feito à ida, mas no sentido contrário (mas só me apercebi mais tarde).
Quando detectei o erro, estava a atravessar o rio no sítio errado e não tive outra hipótese senão subir novamente até Komrong (2250 m), por onde também já tinha passado uns dias antes. Como cheguei bastante cedo (por volta das 15h), pensei que mesmo assim ainda teria tempo para avançar até Tadapani (na minha ideia representaria mais umas 3 horas de caminhada, nada de impossível), mas o céu estava coberto por uma espessa camada de nuvens negras que me fez parar e hesitar... Enquanto estava parada, a tentar perceber através das pessoas que ali estavam se conseguiria chegar a Tadapani antes do cair da noite, surgiu do nada um miúdo (uns 10 anos talvez) e que, ao contrário de todas as outras pessoas ali em volta com quem não estava a conseguir comunicar, falava um inglês próximo da perfeição e com imenso bom senso me desencorajou fortemente de continuar porque o caminho não era fácil, segundo ele (e da mesma forma me encorajou fortemente a parar e a passar ali a noite). Devo confessar que acabei por seguir o conselho um pouco contrariada (mas ele parecia tão seguro de si que me convenceu...).
(Na verdade tive imensa sorte por me ter cruzado com aquele rapazito, ainda por cima porque parece que ele nem morava ali, estava a caminho de uma outra aldeia vizinha... No dia seguinte, apanhei o tal caminho secundário pelo meio da floresta e às tantas perdi o trilho e demorei mais 2 horas do que o previsto. Não foi muito agradável estar meia perdida mas não teve problema porque foi durante o dia e acabei por encontrar o caminho certo, apenas perdi algum tempo e gastei alguma energia extra... Mas talvez tivesse tido menos piada se o mesmo se tivesse passado na véspera ao cair da noite, debaixo de chuva intensa... Mais uma vez se confirma que tenho uma sorte fora de série...)
Dia 7 (17/04/2010)
Komrong (2250 m) - Tadapani (2630 m) - Ghorepani (2874 m)
Comecei o dia muito cedo, muito contente e cheia de energia para mais uma etapa, depois da mini-frustração da véspera (apesar de o quarto ser um bocado desconfortável e húmido e de ter dormido um bocado mal... talvez estivesse animada pela perspectiva de abandonar aquele local rapidamente). Ao contrário daquilo que se possa pensar, atendendo ao facto de que um quarto custa cerca de 1 € por noite, a maioria destas guesthouses no meio da montanha são bastante limpas e até algo acolhedoras, embora os quartos sejam muito, muito básicos (uma cama com um colchão e uma almofada e uma lâmpada... é possível ter um cobertor também se pedirmos...). Este deve ter mesmo sido o pior local onde pernoitei durante todos estes dias (o quarto tinha um tecto falso que devia estar cheio de ratos por cima, porque para além da humidade e do desconforto, ouvi barulhos durante a noite inteira).
A primeira etapa seria Tadapani, onde na verdade já queria ter passado a noite anterior. Mas decidi que não tinha pressa e que se não conseguisse chegar ao destino seguinte nesse dia (apesar de estar confiante de que iria conseguir), demoraria mais um dia, sem stress...
Segui portanto o caminho pelo meio da floresta como uma verdadeira Capuchinha Vermelha (reparem no meu ar de felicidade na foto... a própria foto está toda torta, já a fazer prever o percurso sinuoso que me levaria a Tadapani, após algumas horas a deambular pela floresta, magnífica por sinal - deixei assim torta propositadamente). Isto foi mesmo no início...
Quando finalmente reencontrei e retomei o trilho estava um pouco baralhada em termos de direcções, (o meu sentido de orientação é quase nulo, para não dizer mesmo abaixo de zero...) mas nessa altura encontrei um canadiano pelo caminho que também ia para Tadapani e acabei por ir com ele (supostamente estava com uma amiga que já ia anos-luz à frente dele). Seriam os meus companheiros de caminhada nesse dia (se é que se podem chamar companheiros de caminhada a alguém que leva horas de avanço e que só voltamos a encontrar no destino...).
Ghorepani, segundo as indicações, fica a cerca de 5 horas de caminhada de Tadapani mas segundo o guia de viagem da canadiana (Katie), apenas a pouco mais de 3 horas... Achei que as primeiras indicações seriam certamente as que se aplicariam a alguém como eu (e que o guia dela se destinaria a pessoas mais como ela mesmo) mas que depois de um segundo pequeno-almoço, estaria pronta para enfrentar aquele que seria o dia mais longo de caminhada para mim, mais de 8 horas...
Esta etapa do percurso começou com uma enorme descida e depois uma enorme subida até à colina de Bantanti (3180 m), ao que se seguia um caminho de descidas e subidas, pelo meio de uma floresta linda de rododendros. O rododendro é a flor oficial do Nepal e existe por todo o lado aqui, em diferentes cores.
Alguns minutos de descida foram suficientes para a Katie se eclipsar e pouco depois de iniciar a nova subida perdi também o rasto do Chris (pequena nota: ao final do dia explicaram-me o motivo desta discrepância e percebi, com alívio, que não estava afinal assim tão em baixo de forma - eles são ambos atletas a sério, de triatlo, mas o Chris estava meio adoentado, por isso é que a amiga levava avanço... confesso que durante o caminho tinha começado a ficar preocupada...)
Supostamente, este é um dos percursos mais bonitos da região e muitos turistas fazem apenas esta parte (não sobem até ao ABC como eu, fazem apenas esta volta, que demora 4 ou 5 dias). Cruzei-me com muita gente no sentido oposto durante o caminho. Durante algum tempo caminhei através desta floresta húmida e verde, mas infelizmente as nuvens foram descendo com o passar das horas e a vegetação foi ficando envolvida por um denso nevoeiro. Ao longe comecei a ver nuvens muito negras e a ouvir trovões, que se foram aproximando... E o nevoeiro foi-se adensando...
Pelo caminho começaram a surgir pequenos montes de neve/gelo, intercalados por zonas de muita lama e, apesar de estar a ver a tempestade a aproximar-se e de ter a ideia de que Ghorepani não ficaria já muito longe, não estava a conseguir caminhar tão rapidamente como desejaria (escorreguei várias vezes e de duas dessas vezes caí mesmo no meio da lama :-( Os caminhos dividiam-se e não conseguia avistar Ghorepani por causa do nevoeiro (já me estava a imaginar perdida pela segunda vez nesse dia, desta vez, no meio de um temporal).
Chegou mesmo a um ponto em que não via um palmo à frente do nariz... tive de apurar todos os outros sentidos e comecei a ouvir o som de umas ténues campainhas por entre o nevoeiro... e de repente... um grupo de iaques a pastar à minha frente! (iaques, sabem? aqueles bovinos que existem nas montanhas dos Himalaias, tipo búfalos, mas mais peludos... nunca tinha visto antes...) Segui literalmente os iaques quase até Ghorepani (acho que me teria mesmo perdido se não fossem aqueles sininhos... só tenho pena de não ter tirado nenhuma foto, mas não imaginam o temporal medonho que se estava a levantar, eu nem sabia se estava perto da aldeia ou não, estava mais preocupada em chegar sã e salva do que em tirar fotos no meio do nevoeiro, sinceramente...).
Quando estava quase a chegar a Ghorepani (mas não sabia), a Katie (que já tinha chegado talvez uma hora antes) tinha voltado para trás para me procurar a mim e ao Chris, imaginem que querida! (como chegou cedo, aproveitou para dar uma corridita à chuva, há quem não se contente com 6 ou 7 horas de caminhada por dia...) Mais um dos meus episódios de sorte sobrenatural: mal entrei no hotel (palavra que tinha acabado de atravessar a porta) rebentou o maior temporal de granizo que vi nos dias da vida! Se tivesse demorado mais 5 minutos (ou seja, se não tivesse encontrado primeiro os iaques e depois a Katie) tinha apanhado com aqueles pedregulhos na cabeça. Não imaginam! Tão forte, que não nos conseguiamos ouvir uns aos outros dentro do hotel, com o barulho do granizo a bater no telhado! Durou apenas cerca de meia hora, depois disso, todas aquelas nuvens negras se dissiparam, como se nada fosse (durante esse tempo dei-me ao luxo de tomar um duche quentinho).
Chegou mesmo a um ponto em que não via um palmo à frente do nariz... tive de apurar todos os outros sentidos e comecei a ouvir o som de umas ténues campainhas por entre o nevoeiro... e de repente... um grupo de iaques a pastar à minha frente! (iaques, sabem? aqueles bovinos que existem nas montanhas dos Himalaias, tipo búfalos, mas mais peludos... nunca tinha visto antes...) Segui literalmente os iaques quase até Ghorepani (acho que me teria mesmo perdido se não fossem aqueles sininhos... só tenho pena de não ter tirado nenhuma foto, mas não imaginam o temporal medonho que se estava a levantar, eu nem sabia se estava perto da aldeia ou não, estava mais preocupada em chegar sã e salva do que em tirar fotos no meio do nevoeiro, sinceramente...).
Quando estava quase a chegar a Ghorepani (mas não sabia), a Katie (que já tinha chegado talvez uma hora antes) tinha voltado para trás para me procurar a mim e ao Chris, imaginem que querida! (como chegou cedo, aproveitou para dar uma corridita à chuva, há quem não se contente com 6 ou 7 horas de caminhada por dia...) Mais um dos meus episódios de sorte sobrenatural: mal entrei no hotel (palavra que tinha acabado de atravessar a porta) rebentou o maior temporal de granizo que vi nos dias da vida! Se tivesse demorado mais 5 minutos (ou seja, se não tivesse encontrado primeiro os iaques e depois a Katie) tinha apanhado com aqueles pedregulhos na cabeça. Não imaginam! Tão forte, que não nos conseguiamos ouvir uns aos outros dentro do hotel, com o barulho do granizo a bater no telhado! Durou apenas cerca de meia hora, depois disso, todas aquelas nuvens negras se dissiparam, como se nada fosse (durante esse tempo dei-me ao luxo de tomar um duche quentinho).
Esta guesthouse era tão acolhedora que para além de duche quente (e grátis) até tinha uma salamandra no meio da sala... Se a guesthouse da véspera tinha sido a pior, esta foi sem qualquer sombra de dúvida, a melhor em que pernoitei durante todo o trajecto... Com a vantagem de ser também a mais próxima da subida para Poon Hill, onde me propunha subir para ver o nascer do sol no dia seguinte...
Dia 8 (18/04/2010)
Ghorepani (2874 m) - Poon Hill (3210 m) - Nayapul (1070 m) e regresso a Pokhara
De lanterna na cabeça, comecei o dia às 5 h da manhã, com uma pequena escalada de cerca de 45 minutos até à colina de Poon Hill para ver o último nascer do sol na cordilheira dos Annapurna. Ao contrário do nascer do sol no ABC, em que só se vê o Annapurna sul, de Poon Hill pode-se observar o Annapurna I, o pico mais alto (8091 m, onde o João Garcia tinha subido no dia anterior... mas essa notícia só me chegaria um pouco mais tarde nesse dia).
Annapurna... aqui como pano de fundo para a foto de grupo com os meus companheiros de caminhada canadianos (os atletas).
Outra foto, só para terem uma ideia. Ao centro, o pico do Annapurna e do lado direito, ao fundo, o Machrapuchhre (de que já tinha várias fotos nos relatos anteriores), vistos a partir de Poon Hill.
Depois do pequeno-almoço (panqueca de maçã... uma especialidade; aqui no Nepal há maçãs excelentes por todo o lado; as plantações situam-se precisamente numa zona do circuito dos Annapurna, Marpha, a 2 dias de caminhada de Ghorepani), iniciei a descida. Os canadianos seguiram caminho para o circuito completo dos Annapurna (mais umas 2 semanas de trekking, que coragem!).
O meu objectivo era conseguir regressar ainda a Pokhara, ao fim de 8 dias de caminhada... Já nem sentia dores nas pernas, começava a ficar em hiper-forma, quase podia ter continuado com eles :-)
Paisagens estupendas também aqui, mas na verdade, tentei seguir sempre a bom ritmo para conseguir chegar ao final do circuito a tempo de apanhar um autocarro de volta a Pokhara (e consegui). Nem sequer foi um dia muito duro, demorei pouco mais de 6 horas (isto sem contar com a ascenção matinal a Poon Hill, portanto mantive a minha média diária acima das 7 horas de marcha...).
Apesar de não gostar assim muito de Pokhara (cidade demasiado turística e com uma atmosfera demasiado artificial para meu gosto), a verdade é que me soube bem regressar ao conforto da civilização... Mas adorei a experiência e todos estes dias de caminhada pelas montanhas... nem sempre é fácil (e acho que convém uma condição física média ou pelo menos algum treino) mas recomendo vivamente, sem dúvida! Eu própria quero regressar ao Nepal para fazer o campo base do Evereste... já comecei a estudar o assunto... :-)
Ghorepani (2874 m) - Poon Hill (3210 m) - Nayapul (1070 m) e regresso a Pokhara
De lanterna na cabeça, comecei o dia às 5 h da manhã, com uma pequena escalada de cerca de 45 minutos até à colina de Poon Hill para ver o último nascer do sol na cordilheira dos Annapurna. Ao contrário do nascer do sol no ABC, em que só se vê o Annapurna sul, de Poon Hill pode-se observar o Annapurna I, o pico mais alto (8091 m, onde o João Garcia tinha subido no dia anterior... mas essa notícia só me chegaria um pouco mais tarde nesse dia).
Annapurna... aqui como pano de fundo para a foto de grupo com os meus companheiros de caminhada canadianos (os atletas).
Outra foto, só para terem uma ideia. Ao centro, o pico do Annapurna e do lado direito, ao fundo, o Machrapuchhre (de que já tinha várias fotos nos relatos anteriores), vistos a partir de Poon Hill.
Depois do pequeno-almoço (panqueca de maçã... uma especialidade; aqui no Nepal há maçãs excelentes por todo o lado; as plantações situam-se precisamente numa zona do circuito dos Annapurna, Marpha, a 2 dias de caminhada de Ghorepani), iniciei a descida. Os canadianos seguiram caminho para o circuito completo dos Annapurna (mais umas 2 semanas de trekking, que coragem!).
O meu objectivo era conseguir regressar ainda a Pokhara, ao fim de 8 dias de caminhada... Já nem sentia dores nas pernas, começava a ficar em hiper-forma, quase podia ter continuado com eles :-)
Paisagens estupendas também aqui, mas na verdade, tentei seguir sempre a bom ritmo para conseguir chegar ao final do circuito a tempo de apanhar um autocarro de volta a Pokhara (e consegui). Nem sequer foi um dia muito duro, demorei pouco mais de 6 horas (isto sem contar com a ascenção matinal a Poon Hill, portanto mantive a minha média diária acima das 7 horas de marcha...).
Apesar de não gostar assim muito de Pokhara (cidade demasiado turística e com uma atmosfera demasiado artificial para meu gosto), a verdade é que me soube bem regressar ao conforto da civilização... Mas adorei a experiência e todos estes dias de caminhada pelas montanhas... nem sempre é fácil (e acho que convém uma condição física média ou pelo menos algum treino) mas recomendo vivamente, sem dúvida! Eu própria quero regressar ao Nepal para fazer o campo base do Evereste... já comecei a estudar o assunto... :-)
















Belo relato, quase que fiquei com vontade de andar 7h por dia :-)
ResponderEliminarContinuação de boa viagem, e continua com as fotos dos saltos
Estás uma verdadeira atleta!
ResponderEliminarTudo de bom para ti.
Bjs.
Tia Zé